Com gol de Iniesta, na prorrogação, Espanha entra pra história conquistando seu primeiro título mundial
A primeira Copa do Mundo na África, na África do Sul, viu nascer o oitavo campeão da história. Agora, entra no grupo das seleções campeões mundiais, ao lado de Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra e França. A partir deste domingo, a Espanha pode colocar uma estrela no peito e exibir para o planeta que amarela é a cor da taça na mão dos seus jogadores.
Foi a consagração de um time que encantou o mundo nos últimos anos com um futebol envolvente, de toque de bola e que sempre privilegiou a técnica – o qual já havia conquistado a Eurocopa de 2008. inha de ser sofrido. A Espanha é campeã do mundo após vitória suada sobre a Holanda: 1 a 0. A conquista veio na prorrogação, após o placar ter ficado inalterado no tempo normal e durante boa parte da prorrogação. Em um jogo marcado pela marcação por muitas vezes violenta da Laranja.
Para a Holanda, que já chegara à final em 1974 e 1978, fica a decepção de acumular seu terceiro vice-campeonato em Copas do Mundo. E, desta vez, após vencer todos os jogos das eliminatórias e da trajetória na África do Sul.
RECORDE DE CARTÕES AMARELOS
O confronto, disputado no Soccer City, registrou o maior número de cartões amarelos em uma final de Copa (12, sem contar os dois que resultaram no vermelho de Heitinga). Pela Holanda, Van Bronckhorst, Van Bommel, De Jong, Van Persie, Robben, Van der Wiel e Mathijsen tomaram o amarelo do árbitro britânico Howard Webb. Para completar, Heitinga foi expulso após receber dois cartões. Do lado espanhol, Sergio Ramos, Puyol, Capdevilla, Iniesta e Xavi também terminaram a decisão pendurados.
REVELAÇÃO E ARTILHARIA
Thomas Müller, o meia alemão foi eleito a revelação da Copa do Mundo pela Fifa e ainda terminou com a Chuteira de Ouro, por ter sido o artilheiro que deu mais assistências. Müller marcou cinco gols, assim como David Villa, Diego Forlán e Wesley Sneijder. O primeiro critério de desempate é o número de passes para outros companheiros marcarem. E Müller supera os rivais com três. Em seu site, a Fifa comparou o jogador com Gerd Müller, um dos maiores atacantes da história da Alemanha.
ESPANHA: MELHOR DEFESA, PIOR ATAQUE
A Espanha foi a primeira seleção a levantar o troféu após perder na estreia e com mais duas marcas: uma positiva e outra negativa. Com apenas dois gols sofridos, a Fúria se iguala a franceses e italianos como campeã com a defesa menos vazada. Entretanto, os espanhóis, conhecidos pelo futebol ofensivo, marcaram apenas oito gols, tornando-se o campeão com menor número de gols.
Antes da Espanha, três seleções lideravam esta estatística. A Itália, em 1938, a Inglaterra, em 1966, e a seleção brasileira, em 1994, foram campeãs marcando onze gols cada. Vale lembrar que italianos e ingleses fizeram menos jogos do que o Brasil. A Squadra Azzurra fez apenas quatro partidas em 38, enquanto o English Team realizou seis, em 1966. Com 24 seleções na Copa de 1994, o Brasil entrou em campo sete vezes até conquistar o tetracampeonato.
OS CRAQUES
Sneijder e Robben quase não foram vistos na primeira etapa. Van Persie menos. Do outro lado, Xavi e Iniesta eram pouco criativos, muito por conta da forte marcação holandesa. Com poucos chutes a gol, o primeiro tempo foi embora sem deixar saudade - apenas a esperança de que o jogo melhorasse na etapa final.
Sneijder ainda ganhou de Busquets e deu um belíssimo passe para Robben, que saiu frente a frente com Casillas. O canhotinho escolheu o canto e bateu firme, mas a bola desviou em Casillas e passou rente à trave.
Do outro lado Villa também desperdiçou uma chance clara de marcar. Jesús Navas fez boa jogada pela direita e cruzou rasteiro. Em um momento patético do fraco Heitinga - que tentou cortar e deixou a bola passar por entre suas pernas - o artilheiro espanhol ficou com o gol vazio, mas tocou a zaga conseguiu salvar.
No fim do jogo, Robben teve novamente a chance de fazer o gol. Desta vez saiu atrás de Piqué e Puyol, mas venceu os zagueiros na velocidade e acabou desarmado por Casillas. Reclamando um pênalti não existente, acabou levando o amarelo.
De tanto ver Robben, Fàbregas acabou repetindo os erros do holandês: saiu cara a cara com Stekelenburg e conseguiu errar, logo no início do primeiro tempo da prorrogação. Isso depois de o árbitro não ter marcado um pênalti claro de Heitinga em Xavi. Na sequência, Mathijsen subiu de cabeça e assustou Casillas. O jogo ficava cada vez mais aberto.
No segundo tempo, Heitinga foi expulso - justamente e finalmente, diga-se de passagem. E quando tudo parecia se encaminhar para a decisão por pênaltis, Fernando Torres deu para Fàbregas na entrada da área em boas condições. O meia do Arsenal deu para Iniesta marcar o gol salvador, o gol do título. O gol que deu o primeiro título mundial à Espanha.