Gana se vinga de 93, acaba com a sina de vices e fatura o título nos pênaltis em cima do Brasil.
Nesta sexta-feira, no estádio Nacional do Cairo, a seleção ganesa conquistou seu primeiro título do Mundial em cima da nossa seleção. O tempo regulamentar e a prorrogação terminaram 0 a 0, nos pênaltis, Souza, Maicon e Alex Teixeira perderam cobranças e seleção brasileira teve que se contentar com a segunda colocação. É o primeiro título da categoria para os ganeses, que foram vice em 1993 (para o Brasil)e em 2001 (para a Argentina). O país tem dois títulos no Mundial Sub-17 e, há dois anos, a mesma geração que agora brilhou no Egito havia eliminado os brasileiros nas oitavas do sub-17. O Brasil é tetracampeão mundial sub-20, com duas taças a menos que a recordista Argentina.
O time comandado pelo técnico Rogério Lourenço teve grandes chances de vencer a competição: atuou na final com um a mais por mais de 80 minutos e ainda pôde definir a disputa por pênaltis duas vezes. Fracassou em todas as vezes. Com um a menos durante 80 dos 120 minutos da partida após a expulsão de Addo aos 40 minutos do primeiro tempo, Gana conseguiu se desdobrar em campo e segurar a seleção brasileira, conquistando a vitória no último momento.
O JOGO
A Seleção sufocou no início de partida, não deixando espaço para a saída de bola adversária. No entanto, os brasileiros não souberam aproveitar a posse de bola e pararam na alta defesa de Gana. Cautelosos, os africanos custaram a sair para o jogo. Pela esquerda, o habilidoso lateral Addy chamou para si a responsabilidade de armar as jogadas e criou as melhores chances.
A primeira chance brasileira foi logo aos 11 minutos, quando Giuliano cobrou falta com veneno dentro da área e Paulo Henrique Ganso quase conseguiu mergulhar e botar para o fundo das redes, mas não alcançou a bola a tempo. Pouco depois, Alan Kardec e Alex Teixeira obrigaram Adyei a fazer duas defesas.
A única chance africana foi aos 24 minutos, com Rabiu subindo mais do que a zaga e cabeceando ao lado do gol defendido por Renan. Quando a seleção de Gana começava a tentar crescer na partida, sofreu um duro golpe. Em lance contestado pelos ganeses, Alex Teixeira disparou em um contragolpe e Addo parou o camisa 7 com um carrinho no meio-campo, recebendo cartão vermelho direto, aos 40 minutos do primeiro tempo.
A expulsão facilitou o trabalho dos brasileiros, que quase abriram o placar logo após o intervalo. Após cruzamento na área, Mensah se atrapalhou e por pouco não mandou contra a própria meta. Apesar da tranquilidade em campo, a Seleção pecou por insistir nos cruzamentos para a área. Bem marcado, Alan Kardec teve poucas oportunidades de concluir. Quando conseguiu, parou no goleiro Agyei ou na sua pontaria.
Querendo a vitória, Rogério Lourenço jogou sua equipe para frente promovendo a alteração que já havia dado certo contra a Alemanha, colocando o atacante Maicon no lugar do volante Renan. Com um a menos, a sempre ofensiva seleção ganesa limitou-se a se defender e tentar alguns contragolpes esparsos com Ayew e Adiyah, mas não teve efetividade. Como o Brasil também não conseguiu concluir, a partida foi para a prorrogação.
E o Brasil começou a prorrogação desperdiçando uma chance incrível. Depois de ótimo lançamento de Souza, Alex Texiera arrancou pela esquerda, entrou na área, foi até a linha de fundo e cruzou rasteiro. Alan Kardec, sozinho, deixou a bola passar, mas ela chegou a Maicon. Cara a cara com Agyei, ele mandou uma bomba mas o goleiro ganês defendeu.
Com as duas equipes tentando chegar ao gol adversário, mas já muito cansadas, a partida dos dois melhores ataques do Mundial (Brasil com 14 gols e Gana com 16 tentos) terminou sem nenhuma rede balançar. Na disputa por pênaltis, Alan Kardec, Giuliano, Douglas Costa marcaram para o Brasil, enquanto Souza, Maicon e Alex Teixeira desperdiçaram. Rafael chegou a defender as cobranças de Mensah e Addae, mas não evitou a derrota.